Programa de viagem
Istambul Doce melancolia do Oriente
Curioso cruzamento entre a memória das civilizações e o lento passar dos dias nas margens do Bósforo, Istambul saboreia-se acompanhado de um bom café por entre o rodopio de vozes e perfumes inebriantes do Bazar que engole a cidade a cada manhã. Do azul e detalhe minucioso das mesquitas em cada praça, dos vapores e sensações em cada Hammam escondido, aos palácios de deslumbre fácil e difícil esquecimento nas margens de um estreito que ora separa ora une as margens da cidade, o bulício matinal desta metrópole é difícil de definir ou limitar, conquista os sentidos dos mais distraídos e acomete-os de uma obsessão pela outrora Bizâncio. Pátria de uma cultura milenar com várias mutações ao longo dos séculos, símbolo da eterna luta entre o esforço da manutenção de uma aura de permanência e de um desejo de modernidade, Istambul contraria as tendências habituais, não é destino da moda ou das novas elites culturais, mas eterno segredo guardado no baú dos sonhos dos nossos avós, conto lúdico entre gerações que a escolhem para dias de paz interior e ruído externo. Com um centro histórico repleto de tesouros a desvendar a cada rua recôndita, onde a cada virar de esquina onde as grandes avenidas encontram os bairros mais singelos os gatos guardam memórias e aproveitam os últimos raios de sol, a cidade é um labirinto de sensações fortes que não deixam lugar à indiferença e aos valores correntes, nem dão espaço de manobra para percursos turísticos em grupos pré-definidos. É a suave brisa de um fim de tarde entre os personagens locais com histórias a contar, rol de experiências infindáveis de marinheiros e comerciantes abandonados à evidência de uma cidade em que as memórias perduram, os ocres dos palácios perdem intensidade, e qualquer jantar marca o início de uma nova etapa, de uma vida. É um começar de novo, o fechar de um ciclo, o regresso as origens, o perder-se na voragem das emoções. |